domingo, 14 de março de 2010
Para Marcelo Costa
domingo, 29 de novembro de 2009
Memórias de Emília

domingo, 13 de setembro de 2009
Fita Verde no Cabelo

João Guimarães Rosa
Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos em juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.
Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.
Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia: – “Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou”. A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.
E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeiinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa. Vinha sobejadamente.
Demorou, para dar com avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:
- “Sou eu…” – e Fita-Verde descansou a voz. – “Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.”
Vai, a vovó, difícil, disse: – “Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençõe.”
Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
ver este leve sorriso guardado no canto da boca.
enquanto teus olhos fechados sonham teus sonhos,
afago de leve teus cachos macios.
E mais leve ainda lhe dou um beijo,
bem de leve pra não quebrar este encanto
(-Tão lindo!)
que vive em teu sono, lindo.
Que esta data se repita, e q estejamos sempre juntos pra eu guardar teu sono.
Te Amo.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Nômade
só que eu não sei bem ao certo o que esse algo é.
Eu passo por caminhos que já passei,
e eles estão diferentes.
Não me encontro em nenhum lugar.
Estou perdido, não quero a cidade velha,
não quero a antiga cidade.
Como um nômade deslocando
lentamente, em busca de preencher o que falta.
Noutros tempos existia a certeza,
hoje existe apenas aquilo que está ao alcance de meus olhos.
E você, não está entre a paisagem.
Em outros tempos fazíamos partes dela.
Hoje nem um e nem outro sabe ao certo
do que realmente somos parte.
Somos partes de um todo,
duas metades perdidas procurando um meio de se reencontrar.
A questão é, não somos nós (metades) que decidimos este meio,
e sim o meio que decide pelas metades.
Te Amo.
terça-feira, 5 de maio de 2009
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Mudanças
mas eu digo pra elas, podem mudar,
nada no mundo é fixo.
Quero q a montanha mude, quero q o dia mude, quero que o cheiro mude quero q tudo mude.
Só existe uma coisa que não mudará,
Voce sempre perto de mim.
Que tudo mude, mas que continuemos juntos.
Hoje e para todo o semple.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Galileu

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Lugares

quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Post-it
Mas eu descobri que não.
Eu jurava que a minha saudade ia sumir na neblina,
Mas não.
A minha saudade está comigo quase que o dia todo,
A minha saudade almoça comigo,
A minha saudade janta comigo,
Ela me abre um sorriso quando estou lendo,
A minha saudade está comigo até quando eu estudo.
A minha saudade me bate, ela adora me bater.
Ela tem uma estranha mania de me subir pelo pescoço rumo ao ouvido.
Ás vezes minah saudade não me olha nos olhos,
e eu não sei se então eu olho por cima,
ou se sorrio mais em baixo.
A minha saudade me faz chorar,
outras vezes ela me faz sorrir.
O sorriso da minahs audade é belo,
tão belo que me machuca.
A minha saudade me prende de noite,
me tira a fala,
me abraça,
e dorme comigo.
Às vezes eu queria que minha saudade fosse andando,
mas se ela partir quem ficará comigo?
Eu queria matar minha saudade,
mas se ela se for, o que será de mim?
Eu não tenho coragem de enfrentar a minha saudade cara a cara.
MENTIRA.
Eu já briguei com ela,
Já mandei ela morrer,
Já mandei ela sumir,
mas depois ela me abraça e me quebra.
Eu queria dizer isso pra minha saudade.
mas não tenho coragem.
Ela ainda está aki.
Ela me sussurra ao pé do ouvido,
Eu não respondo.
Ela me abraça,
Eu não reajo.
Quando ela cede,
eu provoco.
Quando ela me prende,
eu me perco.
Me perco na minha saudade.
Todo dia eu acordo querendo esquece-la,
Mas ela me encontra e me lembra que está sempre presente.
Se eu não respondo
Ela provoca.
E então eu retruco.
Eu canto a música da minha saudade.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Passa
como a neblina que cobre a pedra
e depois se dissipa no ar.
Estou live dos abraços e sentimentos pela metade,
livre do teu não querer.
E tudo isso pelo simples fato de agora saber o que EU quero.
Você se confunde no momento em que eu tenho a certeza
isso te devora por dentro, bem em baixo do peito.
Te devora do mesmo jeito que me devorou.
Agora é você.
Passa.
Vai Embora.
Vai tarde.
Mas volta.
Logo a neblina ressurge na pedra.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
segunda-feira, 5 de maio de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
Conversas
-O destino é uma coisa cíclica certo?
-Não, ele é mais parecido com aquele negócio do caderno, como chama mesmo?
-Espeiral?
-Isso, ele é uma espiral.
-Quer dizer helicoidal, assim como a órbita da Terra?
-Isso, ele gira em circulos e sempre caminhando para frente, ta aí o motivo de se deparar com circunstâncias parecidas com algumas já vividas, às vezes envolvendo as mesmas pessoas, como por exemplo o caso da festa.
-Ah, isso quer dizer que meu post está errado, o destino não é ciclico e sim uma espiral, ou melhor ele é helicoidal. Isso me lembra A Dona da História...
[...]
(Talvez seja perda de tempo mudar certas situações, e outras vezes seja desperdício deixá-las de lado.)
Pandora

Tenho medo das caixas
não sei ao certo o por que,
mas sei que tenho.
Talvez elas não possam levar tudo o que quero,
ou simplesmente não possam me dar tudo o que quero.
Tenho medo de empacotar, etiquetar,
e esquecer de me colocar dentro delas.
Tenho medo de colocar o que não devia
tenho medo de passar a fita, esquecer de algo, ou precisar de algo já embalado
medo do que espera por mim dentro da caixa,
medo do que espera por mim fora dela também.
A caixa é mítica, é épica, é filosófica.
Minha vida de Pandora deve passar rápido,
afinal de contas tenho poucos dias para separar e escolher a qual parte minha realmente cabe na caixa, qual a parte que levarei depois, e qual a parte que devo empacotar e etiquetar como lixo.
segunda-feira, 10 de março de 2008
Da Fuga (Frederico Garcia Lorca)

Perdi-me muitas vezes pelo mar,
o ouvido cheio de flores recém-cortadas,
a língua cheia de amor e de agonia.
Muitas vezes perdi-me pelo mar,
como me perco no coração de alguns meninos.
Não há noite em que, ao dar um beijo,
não sinta o sorriso das pessoas sem rosto,
nem há ninguém que, ao tocar um recém-nascido,
se esqueça das imóveis caveiras de cavalo.
Porque as rosas buscam na frente
uma dura paisagem de osso
e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.
Como me perco no coração de alguns meninos,
perdi-me muitas vezes pelo mar.
Ignorante da água vou buscando uma morte de luz que me consuma.
sábado, 1 de março de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Leami
Le na minha vida uma porta aberta
Le o que posso fazer,
Le o amigo que preciso,
Le o que espero,
Le o que desejo,
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Ma Mémoire Sale

terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Descritivo.
e olha que não há algo mais errônio que a descrição .
Teu loiro não combina com o meu castanho,
meu alto e magro.
O ser é metafísico,
palavras são apenas projeções da conciência humana,
Entre na fila, busque teu rótulo, a palavra que te descreva.
individualidade é o ruim da sociedade,
Lentamente só, esquecido pelo mundo e pelas mesmas pessoas incapazes de te descrever.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Privacidade.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Conclusões
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
O Jequitibá
é a humilhação.
Não é dor de corpo
e sim dor de ego.
Quem cai as vezes se machuca.
Quem cai as vezes fica são.
Aquele que cai e não tem força de levantar
para esse, meu caro, existe algo pior que a queda.
Como o Jequitibá orgulhoso e a Taboa,
"Quanto maior a altura, maior o tombo."
Quanto maior o tempo que você permanecer no chão,
mais difícil é levantar.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
A intensa nostalgia do amor mal vivido.
eu corri tanto que não me cansei.
Eu só esperei o tempo passar contando os dias nos dedos.
Eu cheguei, extasiado, sonolento, ansioso;
E você?
Você correu de mim.
Por que você correu menino?
Por que você é assim?
O que você esperva de mim?
Realmente a pergunta não é essa.
O que eu esperava tanto de você? - sim, essa é a pergunta.
Esperava o que você não podia me dar,
teus beijos foram bons,
nossas conversas me inspiravam,
hoje releio-as, a intensa nostalgia do amor mal vivido.
Poderia ser diferente.
Queria fazer você ler isso
As vezes dizer palavras é dificil demais,
mas escreve-las....
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Looooooping

quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Sossegando o Periquito

domingo, 4 de novembro de 2007
Atualmente meu mundo ta de perna pro ar, me sinto como uma personagem perdida no meio de uma história que não é dela e no entanto ela é a protagonista.
"Todos observam o que a inútil personagem faz enquanto desesperada ela grita por ajuda, implora para olharem outro. No entanto todos na rua a olham, ela não sabe o poder que tem, ela passa e arranca suspiros, todos inquietos na platéia ansiando pelo climax e pelo desfecho final da história. O que eles não sabem é que ela própria anseia pelo final..."
A questão é que ningúém sabe o final.
A ti em resposta - (Anna)
cantou uma canção
brindamos a paixão
a amizade e a alegria.
Casariamos com certeza
pediria tua mão em francês
estilo poema dos olhos da amada.
Os aplausos, as petalas, os cacos.
Tudo perfeito, incluindo nossa embriaguez.
Mulata pele escura e dente branco,
teu amigo aqui ta com saudade.
Mulher tão linda que só espalha sofrimento
tão cheia de pudor que vive nua.
domingo, 28 de outubro de 2007
Encontros (Obrigado por caminharmos)
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Até que a bateria nos separe.
Nossa história se resume em pequenas coisas.
Gestos que mudaram nossa afinidade,
um sempre precisando de ajuda,
o outro sempre precisando falar.
Fomos empregado e patroa no palco,
patroa e empregado na vida.
Mas acima de tudo somos amigos
apesar de todos acharem o contrário.
Não to nem aí pros outros,
somos um caso indefinível
de carinho infantil e peraltices de moleque.
Inocentes até a alma,
confusos até certo ponto.
Sempre estamos aprendendo um com o outro.
Seja a mulherzinha neurótica
ou o homem mandão,
sempre saímos no grito e chocamos as pessoas na praça.
Falamos merdas e merdas.
Falamos merdas em francês,
uma aula de línguas à distância.
Um mundo de palavras pra dizer
Até que a bateria nos separe.
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
cantaremos musica felizes
dançaremos na chuva de lagrimas deles
seremos eternos atores
e finais felizes
daew entaum veremos
q tuduh naum passava de um teste
c choramos...eh porque somos bons
e c caimos...naum foi atoa
e se alguma vez negamos um ao outro
eh porque o autor quiz assim
mas nunca deixamos de estar lado a lado
mesmo um pulando a privacidade do outro
ou usando a energia adoidado.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
A questão sobre a vida, o universo e tudo mais...

-simplesmente 42.
Isso mesmo, a vida o universo e tudo mais se resume em 42.
Claro que isso foi uma ótima e bem humorada maneira de encontrar a tão esperada resposta. Ou seja, não adianta gastar o seu tão precioso ócio procurando respostas idiotas para perguntas mais idiotas ainda.
A vida é simples, é isto, aquilo. É o agora, é esse vento que te acaricia durante o calor. Eu sei o porque da vida existir e posso te dizer com todas as letras. A vida existe simplesmente pra ser vivida, portanto pare de procurar um sentido pra ela, não existe sentido. é claro se você quiser encontrar um sentido pra vida compre uma bússola, tenho certeza que você terá um sentido.
Palavras do Pensador Profundo.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Momento raposa.... (O Pequeno Príncipe)

domingo, 14 de outubro de 2007
Alberto caeiro fala por mim

Podia ser diferente
"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.Eu sei não é assim, mas deixa eu fingir."
(Los Hermanos)
Eu pensei em sair gritando,
eu pensei em te roubar pra mim,
eu pensei em te escrever uma carta
mas eu não sei se sou bom com palavras.
Eu pensei em te beijar na boca,
eu pensei em te dar um soco,
eu pensei em te tirar da minha mente,
mas eu sei que não quero isso.
Eu pensei em te dizer isso
eu pensei em não me importar com os outros
eu pensei em corrermos juntos
quero você para o meu uso pessoal.
Não corre.
Não fuja.
Uma chance só.
Voe comigo.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Chico Buarque - Medo de Amar (Vinicius de Moraes)
Musica perfeita, de um cara perfeito, interpretada por outro cara perfeito.
Infinito Particular

sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Culpa sua
Você aparece do nada e me rouba,
inúmeros suspiros roubados.
Você acaba com minha atenção
Você me deixa louco.
Em compensação vôo até as nuvens,
volto num segundo e mergulho em alegria.
Você me faz alegre, me faz sorrir
A culpa é sua.
Toda sua, sinta-se culpado.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Saudade.

Derrepende eu me pego procurando um som ao longe.
é um som costumeiro, som de minha infância.
sempre lá, presente, meu dia era aquele som,
minhas lembranças, meu passado.
Derrepende percebo que não há mais som,
"o que teria sido feito dele?", penso eu,
na certa está deitado dormindo sua modorra.
Ao chegar na cama não o vejo,
o monte de cobertas mostra que já não está ali.
A sala vazia, os comodos mudos.
A única lembrança do som está na memória,
está ali, ao lado da lembrança dele.
A harpa está parada, muda.
Sem som chora mais que os demais,
desde que ele se foi ela nunca mais cantou.
O silêncio me traz apenas uma coisa,
saudade.
Com o tempo o som se apagará da memória,
os discos se quebrarão,
mas quando este tempo chegar estaremos juntos de novo.
Te escrevo com saudades,
Um beijo do seu querido.
domingo, 16 de setembro de 2007
Vem comigo?
O que eu espero de você?
Na verdade eu não espero, simplesmente quero.
Quero agora, quero comigo, junto.
Quero passar cada momento, junto.
Vou fazer de tudo,
passar por cima de tudo.
Vou atrás.
Vou correndo pela estrada
Não vou por os pés no chão.
Te espero porque te quero.
Gosto, e sou gostado,
esperado, desejado, querido.
Vamos juntos
de mãos dadas
os pés no caminho que faremos.
Espere-me,
queira-me,
Voe comigo.
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Medo do Futuro
Amo os amigos que encontrei,
sábado, 8 de setembro de 2007
Pátria Minha - Vinícius de Moraes
Pátria minha
A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes."
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Coisas
quinta-feira, 23 de agosto de 2007
Dois (Pablo Neruda) - Juh
Dois seres...
terça-feira, 21 de agosto de 2007
Conjugação da Ausente - (Vinicius de Moraes)
sábado, 18 de agosto de 2007
Bicho de Sete Cabeças - Zeca Baleiro (Danielle Pulz)
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem jeito mesmo
não tem dó no peito
não tem nem talvez ter feito
o que você me fez desapareça
cresça e desapareça
Não tem dó no peito
não tem jeito
não tem ninguém que mereça
não tem coração que esqueça
não tem pé não tem cabeça
não dá pé não é direito
não foi nada, eu não fiz nada disso
e você fez um bicho de sete cabeças.
Homenagem pra Dany que arrasou na apresentação.
Beijos Dany.


