sábado, 22 de dezembro de 2007

Privacidade.


Alguma vez você já teve vontade de sair correndo?

você já se sentiu com a privacidade invadida?

você ja se perguntou "por que estou aqui?"


come on baby.


vamos embora, por aqui a estrada é bela,

a vida segue no ritmo da rosa amarela.

A inseguransa é o tempero do caminho,

vem comigo da rosa tirarei o espinho.

Seguiremos juntos, unidos e felizes,

a intensa felicidade do amor bem vivido.

É só você querer, tentar espairecer,

separar as cores, os odores, os sabores,

a textura da pele.

e tudo mais.


Decidi experimentar o novo.

o velho me cansa.

o velho, é velho demais.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Conclusões


As pessoas te culpam porque quebraram o prato,
As pessoas te culpam porque não conseguem catar os cacos,
te culpam porque o ventilador não funciona,
porque o computador quebrou.
Como se você fosse capaz de concertar a porra do computador.
As pessoas te culpam porque são incapazes de perceber que o cabo está solto.
te culpam porque se acham feia,
e você sabe que não tem nada a ver com o espelho.
te culpam porque o aluguel está alto,
porque a tv está alta,
porque o gato está com fome.
te culpam porque não estão contentes com elas mesmas.
Elas não importam se você estava vendo tv, simplesmente mudam de canal,
e quando devolvem o controle pra sua mão reclamam novamente do volume alto que ELAS deixaram.
As pessoas te condenam por não passar num vestibular,
por não querer ser alguém,por não fazer nada o dia todo.
Chega um momento que a convivencia com as pessoas te irrita tanto, que você percebe e diz:
"Preciso morar sózinho."

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

O Jequitibá

A pior dor do que cai,
é a humilhação.
Não é dor de corpo
e sim dor de ego.
Quem cai as vezes se machuca.
Quem cai as vezes fica são.
Aquele que cai e não tem força de levantar
para esse, meu caro, existe algo pior que a queda.
Como o Jequitibá orgulhoso e a Taboa,
"Quanto maior a altura, maior o tombo."
Quanto maior o tempo que você permanecer no chão,
mais difícil é levantar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

A intensa nostalgia do amor mal vivido.

Eu fui pra aí,
eu corri tanto que não me cansei.
Eu só esperei o tempo passar contando os dias nos dedos.
Eu cheguei, extasiado, sonolento, ansioso;
E você?
Você correu de mim.
Por que você correu menino?
Por que você é assim?
O que você esperva de mim?
Realmente a pergunta não é essa.
O que eu esperava tanto de você? - sim, essa é a pergunta.
Esperava o que você não podia me dar,
teus beijos foram bons,
nossas conversas me inspiravam,
hoje releio-as, a intensa nostalgia do amor mal vivido.
Poderia ser diferente.
Queria fazer você ler isso
As vezes dizer palavras é dificil demais,
mas escreve-las....

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Looooooping


Dizem que todo o mundo se revolucionou aos poucos com a mair invenção do homem, A Roda.

As coisas são engraçadas porque o homem acaba agindo como uma roda, sempre em circulos andando e voltando ao mesmo lugr, as vezes se deparando com situações parecidas, ou com uma mesma situação.
E nós nunca sabemos como agir, apesar de ja ter vivido.

Talvez esta nova situação semelhante sirva para fazer-mos diferente.

Como uma 2ª chance.

Cabe a nós aproveita-la.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Sossegando o Periquito


Meu, daqui a pouco o Cara lá vai tacar um raio na minha cabeça.

Ele ta me falando isso direto.

"Sossega o periquito moleque".

E a pessoa não para queita, seja no RJ ou SP.
Sabe o que o perequito vai fazer agora??

Estudar e passar no vestibular, ficar rico, milhonario e encontrar todos os pretendentes do mundo.

Fala sério, você já viu um periquito mais inteligente que esse??

Bom, se daqui a alguns anos alguém estiver interessado, temos um periquito sobrando.

Enfim, agora deixa eu estudar que eu ganho mais.

domingo, 4 de novembro de 2007

Coisas bizarras acontecem na minha vida.

Atualmente meu mundo ta de perna pro ar, me sinto como uma personagem perdida no meio de uma história que não é dela e no entanto ela é a protagonista.





"Todos observam o que a inútil personagem faz enquanto desesperada ela grita por ajuda, implora para olharem outro. No entanto todos na rua a olham, ela não sabe o poder que tem, ela passa e arranca suspiros, todos inquietos na platéia ansiando pelo climax e pelo desfecho final da história. O que eles não sabem é que ela própria anseia pelo final..."



A questão é que ningúém sabe o final.

A ti em resposta - (Anna)

Aquele balcão contou uma hisória
cantou uma canção
brindamos a paixão
a amizade e a alegria.
Casariamos com certeza
pediria tua mão em francês
estilo poema dos olhos da amada.
Os aplausos, as petalas, os cacos.
Tudo perfeito, incluindo nossa embriaguez.
Mulata pele escura e dente branco,
teu amigo aqui ta com saudade.
Mulher tão linda que só espalha sofrimento
tão cheia de pudor que vive nua.

Sinceramente

É ótimo quando você perde o chão.

domingo, 28 de outubro de 2007

Encontros (Obrigado por caminharmos)

Pé engessado, um calor de matar e eu pensando na vida...

Hoje estava ouvindo uma música do Zeca Baleiro e fiquei pensando em uma frase


"Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo"


É misterioso como as pessoas aparecem do nada em nossas vidas, você ta lá sentado distraído e elas praticamente caem em cima de você.
E uma coisa falo com toda a certeza, conhecidência não existe, o que existe é um destino, mas não aquele destino que foi escrito e será pra sempre, não. Meu destino é muito mais que isso, um destino que foi pré-escrito, mas que a cada momento eu posso criar um novo parágrafo.
Minha vida é escrita conforme quero, meu mundo é da forma que vejo, a partir do momento em que eu me der conta de quão grande é esse meu poder, poderei fazer o que quiser da minha vida. Claro que os problemas existirão, problemas são apenas provações colocadas no caminho para que possamos vencer nossos limites, esticar os braços e reergue após um grande tombo.
Sorte temos se encontramos essas pessoas pelo caminho.
Como o próprio Baleiro disse, não sabemos até que ponto elas nos acompanharão.
60 anos? uma década? 1 mês? 3 dias?
Não sei, mas desfrutarei ao máximo a passagem delas, pessoas não aparecem no caminho só por aparecer, elas estão lá por algum motivo, cabe a você ou a mim descobrir o motivo de nos encontrarmos e torcer para permanecermos juntos e aproveitarmos nosso tempo neste nosso caminho. Quem sabe num futuro não nos reencontraremos e veremos qual a diferença que fizemos um para o outro.
Seja atalho ou desvio, obrigado por estar em meu caminho.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Até que a bateria nos separe.



Nossa história se resume em pequenas coisas.
Gestos que mudaram nossa afinidade,
um sempre precisando de ajuda,
o outro sempre precisando falar.

Fomos empregado e patroa no palco,
patroa e empregado na vida.
Mas acima de tudo somos amigos
apesar de todos acharem o contrário.

Não to nem aí pros outros,
somos um caso indefinível
de carinho infantil e peraltices de moleque.
Inocentes até a alma,
confusos até certo ponto.

Sempre estamos aprendendo um com o outro.
Seja a mulherzinha neurótica
ou o homem mandão,
sempre saímos no grito e chocamos as pessoas na praça.

Falamos merdas e merdas.
Falamos merdas em francês,
uma aula de línguas à distância.
Um mundo de palavras pra dizer
Até que a bateria nos separe.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007



cantaremos musica felizes
dançaremos na chuva de lagrimas deles
seremos eternos atores
perdidos nos mocinhus felizes
e finais felizes
daew entaum veremos
q tuduh naum passava de um teste
c choramos...eh porque somos bons
e c caimos...naum foi atoa
e se alguma vez negamos um ao outro
eh porque o autor quiz assim
mas nunca deixamos de estar lado a lado
mesmo um pulando a privacidade do outro
ou usando a energia adoidado.


(Lacerda)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A questão sobre a vida, o universo e tudo mais...






Desde que o homem foi condenado a ter um cérebro altamente desenvolvido e conciência, ele tem gasto a maior parte de suas horas de ócio encontrando questões que não fariam nenhuma diferença se tivessem respostas.


Por exemplo:


Estamos sózinhos no universo?


De onde viemos?


Para onde vamos?


Qual é o sentido da vida?






Entre outras que só existem para frustrar o bicho-homem.


Mas vamos nos prender ao sentido da vida.


Por que as pessoas se preocupam tanto em querer saber o sentido da vida? ou melhor, por que as pessoas se frustram em não saber o sentido da vida?


Mas temos um grande problema nessa frase.


"Qual é o SENTIDO da vida?"


Sentido. O sentido é algo que se designa apenas para grandesas vetoriais, e que eu saiba a vida não é uma grandesa escalar ou vetorial, nenhum físico sai por aí dizendo que um carro andou sete vidas para o norte ou doze vidas para o sul. Ou seja, a vida não tem sentido.

Isso mesmo, vida não tem sentido.

Portanto pare de se perguntar "onde está meu norte?"


Perguntas como essas não servem de nada.

podemos dar qualquer resposta possível, incluindo a célebre resposta de Douglas Adams 42.

-42 o que porra???


-simplesmente 42.


Isso mesmo, a vida o universo e tudo mais se resume em 42.


Claro que isso foi uma ótima e bem humorada maneira de encontrar a tão esperada resposta. Ou seja, não adianta gastar o seu tão precioso ócio procurando respostas idiotas para perguntas mais idiotas ainda.


A vida é simples, é isto, aquilo. É o agora, é esse vento que te acaricia durante o calor. Eu sei o porque da vida existir e posso te dizer com todas as letras. A vida existe simplesmente pra ser vivida, portanto pare de procurar um sentido pra ela, não existe sentido. é claro se você quiser encontrar um sentido pra vida compre uma bússola, tenho certeza que você terá um sentido.




Palavras do Pensador Profundo.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Momento raposa.... (O Pequeno Príncipe)




- Que quer dizer "cativar" ?

- É uma coisa muito esquecida. Significa criar laços...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. Eu não tenho necessidade de ti e tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, teremos necessidade um do outro. Serás para mim, único no mundo. E eu serei para ti, única no mundo. Minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. O teu passo me chamará para fora da toca, como se fosse música. A gente só conhece bem as coisas que cativou.

Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar...a gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixou cativar.

[...]

-É simples, o segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.



(Antoine de Saint-Exupéry)

domingo, 14 de outubro de 2007

Alberto caeiro fala por mim

Alberto caeiro fala por mim...




Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
Ao sol quando havia sol
E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra cousa)
Sentir calor e frio e vento,
E não ir mais longe.
Uma vez amei, julguei que me amariam,
Mas não fui amado.
Não fui amado pela única grande razão -
Porque não tinha que ser.

Consolei-me voltando ao sol e à chuva,
E sentando-me outra vez à porta de casa.
Os campos, afinal, não são tão verde para os que são amados
Como para os que o não são.
Sentir é estar distraído.

Alberto Caeiro
(Fernando Pessoa)

Podia ser diferente

"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei não é assim, mas deixa eu fingir."
(Los Hermanos)







Eu pensei em sair gritando,
eu pensei em te roubar pra mim,
eu pensei em te escrever uma carta
mas eu não sei se sou bom com palavras.

Eu pensei em te beijar na boca,
eu pensei em te dar um soco,
eu pensei em te tirar da minha mente,
mas eu sei que não quero isso.

Eu pensei em te dizer isso
eu pensei em não me importar com os outros
eu pensei em corrermos juntos
quero você para o meu uso pessoal.

Não corre.
Não fuja.
Uma chance só.
Voe comigo.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Chico Buarque - Medo de Amar (Vinicius de Moraes)




Musica perfeita, de um cara perfeito, interpretada por outro cara perfeito.

Infinito Particular


Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Culpa sua

Você é o culpado de tudo.
Você aparece do nada e me rouba,
inúmeros suspiros roubados.
Você acaba com minha atenção
Você me deixa louco.

Em compensação vôo até as nuvens,
volto num segundo e mergulho em alegria.
Você me faz alegre, me faz sorrir
A culpa é sua.
Toda sua, sinta-se culpado.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Saudade.


Derrepende eu me pego procurando um som ao longe.
é um som costumeiro, som de minha infância.
sempre lá, presente, meu dia era aquele som,
minhas lembranças, meu passado.

Derrepende percebo que não há mais som,
"o que teria sido feito dele?", penso eu,
na certa está deitado dormindo sua modorra.
Ao chegar na cama não o vejo,
o monte de cobertas mostra que já não está ali.
A sala vazia, os comodos mudos.
A única lembrança do som está na memória,
está ali, ao lado da lembrança dele.
A harpa está parada, muda.
Sem som chora mais que os demais,
desde que ele se foi ela nunca mais cantou.
O silêncio me traz apenas uma coisa,
saudade.

Com o tempo o som se apagará da memória,
os discos se quebrarão,
mas quando este tempo chegar estaremos juntos de novo.
Te escrevo com saudades,
Um beijo do seu querido.

domingo, 16 de setembro de 2007

Vem comigo?


O que eu espero de você?
Na verdade eu não espero, simplesmente quero.
Quero agora, quero comigo, junto.
Quero passar cada momento, junto.
Vou fazer de tudo,
passar por cima de tudo.

Vou atrás.
Vou correndo pela estrada
Não vou por os pés no chão.

Te espero porque te quero.
Gosto, e sou gostado,
esperado, desejado, querido.
Vamos juntos
de mãos dadas
os pés no caminho que faremos.

Espere-me,
queira-me,
Voe comigo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Medo do Futuro


Amo Muito os anos que passaram.
Amo os amigos que encontrei,
os momentos que vivi,
os sentimentos que conheci.
Amo tudo o que tenho
e guardo com carinho.
Confeço que tenho medo do futuro.
Mas tenho certeza que ele será feito de momentos, amigos, sentimentos e carinho.
E outra certeza é que amarei
mais ainda tudo que passou.

sábado, 8 de setembro de 2007

Pátria Minha - Vinícius de Moraes




Agora de manhã lembrei que não coloquei nada falando de minha pátria ontem e num pedido de desculpas estou aqui para homenageá-la.




Pátria minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.


Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.


Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!


Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes."

(Vinícius de Moraes)

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Sentimental - Los Hermanos (Amélie Poulain)

Coisas



Que coisa...
Que droga.
Não diga isso.
Por que não?
Eu posso.
Eu também.
Eu não quero
Me dê.
Me esquece.
Não consigo.
Se mata.
Quero ajuda.
Eu te empurro
Te dou um murro.
Idiota!
Estúpido!
Grosso!
é sério.
Vou embora.
Beijos.
Até mais.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Dois (Pablo Neruda) - Juh


Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.



(Pablo Neruda )

.



Juh, vc vale ouro sabia??





.

Essa é pro cara que me aturou todo dia no ano passado.

Juh

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Conjugação da Ausente - (Vinicius de Moraes)







Tua graça caminha pela casa
Moves-te blindada em abstrações, como um T. Trazes
A cabeça enterrada nos ombros qual escura
Rosa sem haste. És tão profundamente
Que irrelevas as coisas, mesmo do pensamento.
A cadeira é cadeira e o quadro é quadro
Porque te participam. Fora, o jardim
Modesto como tu, murcha em antúrios
A tua ausência. As folhas te outonam, a grama te
Quer. És vegetal, amiga...
Amiga! direi baixo o teu nome
Não ao rádio ou ao espelho, mas à porta
Que te emoldura, fatigada, e ao
Corredor que pára
Para te andar, adunca, inutilmente
Rápida. Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
E te amo, te venero, te idolatro
Numa perplexidade de criança.
(Vinicius de Moraes)

sábado, 18 de agosto de 2007

Bicho de Sete Cabeças - Zeca Baleiro (Danielle Pulz)

Não dá pé não tem pé nem cabeça

não tem ninguém que mereça

não tem coração que esqueça

não tem jeito mesmo

não tem dó no peito

não tem nem talvez ter feito

o que você me fez desapareça

cresça e desapareça




Não tem dó no peito

não tem jeito

não tem ninguém que mereça

não tem coração que esqueça

não tem pé não tem cabeça

não dá pé não é direito

não foi nada, eu não fiz nada disso

e você fez um bicho de sete cabeças.




Homenagem pra Dany que arrasou na apresentação.
Beijos Dany.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Papel de Pão


O pão é igual ao verso perdido na folha,

O verso é pão perdido em papel.

O pão é alimento para o corpo,

Meu verso alimento para a alma.

O pão não existe sem verso,

O verso não existe sem pão,

Ambos são a existência do homem.