sábado, 6 de novembro de 2010

Sou obrigado a esperar,
pobre mortal apaixonado
desprovido de asas que avancem longe.
Suas asas alcançam as estrelas,
mas são incapazes de transpor a imensidão,
imensidão de montanhas que existe no horizonte.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Cântico Negro

Cântico negro




José Régio



"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?


Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!



José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira.

domingo, 14 de março de 2010

Para Marcelo Costa


Você me abriu os olhos pra uma coisa que ha muito eu havia esquecido.

Foi apenas um convite, vamos lá, experimentar algo novo. Mas para alguém que tinha se esquecido o sentido do teatro e o tesão do ator em cena, foi um novo despertar, acordar, trabalhar, crescer, relembrar o sentido que o palco tem em minha vida.

Foi difícil, ouvir minha carne gritar, meu asco aparecer, o medo de se jogar. Mas me joguei. Depositei minha confiança em você e em/no Ossanha, e graças aos dois relembrei o proque de estar aqui, o porque dessa profissão. Me reapaixonei pela arte, abracei minha carne, destrinchei-a, libertei de mim o monstro que me prendia e renasci na forma de uma estrela que brilha nos espaços e no escuro, guiando aqueles que não veem (pois eles estão dormindo).

Marcelo só tenho que te agradecer por tudo, essa é e sempre será a melhor experiencia da minha vida.Você vai longe moço. Um abraço bem forte e que todos os Deuses do teatro te guiem meu querido amigo.

Beijos.

Evoé Bacco!
Evoé Ossanha!


"Não é Maravilhoso?"