domingo, 29 de novembro de 2009

Memórias de Emília



"- A vida Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais .
A vida das gentes neste mundo,
senhor sabugo, é isso .
Um rosário de piscadas.
Cada pisco é um dia.
Pisca e mama.
Pisca e anda. Pisca e brinca.
Pisca e estuda.
Pisca e ama. Pisca e cria filhos.
Pisca e geme reumatismos. Por fim,
pisca pela ultima vez e morre.
- E depois que morre - perguntou o Viscode.
- Depois que morre, vira hipótese.
É ou não é?"

Monteiro Lobato , em
"Memórias de Emília" (1899).

domingo, 13 de setembro de 2009

Fita Verde no Cabelo


(Nova velha estória)

João Guimarães Rosa

Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam. Todos em juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.

Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia. Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.

Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo. Então, ela, mesma, era quem se dizia: – “Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou”. A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.

E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós. Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeiinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa. Vinha sobejadamente.

Demorou, para dar com avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:

- “Quem é?”

- “Sou eu…” – e Fita-Verde descansou a voz. – “Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.”

Vai, a vovó, difícil, disse: – “Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençõe.”

Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.

A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: – “Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.”

Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:

- “Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!”

- É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta…” – a avó murmurou.

- “Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!”

- É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta…” – a avó suspirou.

- “Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido!”

- “É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha…” – a avó ainda gemeu.

Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez.

Gritou: – “Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!…”

Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Gosto de te ver dormir,
ver este leve sorriso guardado no canto da boca.
enquanto teus olhos fechados sonham teus sonhos,
afago de leve teus cachos macios.
E mais leve ainda lhe dou um beijo,
bem de leve pra não quebrar este encanto
(-Tão lindo!)
que vive em teu sono, lindo.

Que esta data se repita, e q estejamos sempre juntos pra eu guardar teu sono.
Te Amo.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Nômade

Eu sinto a falta de algo
só que eu não sei bem ao certo o que esse algo é.
Eu passo por caminhos que já passei,
e eles estão diferentes.
Não me encontro em nenhum lugar.
Estou perdido, não quero a cidade velha,
não quero a antiga cidade.
Como um nômade deslocando
lentamente, em busca de preencher o que falta.
Noutros tempos existia a certeza,
hoje existe apenas aquilo que está ao alcance de meus olhos.
E você, não está entre a paisagem.
Em outros tempos fazíamos partes dela.
Hoje nem um e nem outro sabe ao certo
do que realmente somos parte.
Somos partes de um todo,
duas metades perdidas procurando um meio de se reencontrar.
A questão é, não somos nós (metades) que decidimos este meio,
e sim o meio que decide pelas metades.

Te Amo.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Que a força do medo que tenhonão me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é 0o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Mudanças

Eu confesso que eu tenho medo das mudanças que vão acontecer,
mas eu digo pra elas, podem mudar,
nada no mundo é fixo.
Quero q a montanha mude, quero q o dia mude, quero que o cheiro mude quero q tudo mude.
Só existe uma coisa que não mudará,
Voce sempre perto de mim.
Que tudo mude, mas que continuemos juntos.
Hoje e para todo o semple.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Galileu




Eu só quero deixar uma coisa bem clara, não me importo com o que VOCÊ pensa, não me importo com o que você acha de mim, não me importo se você me diz que eu não faço a coisa certa. Muita gente disse a galileu que ele não estava certo nos seus atos e palavras, e mesmo assim ele não deixou de crer em si e no que firmava ser certo.
E reafirmo, não me importo com o que você me diz, só porque eu te incomodo, não vou deixar de ser o que sou pra te agradar.
Sou assim, sou feliz, sou tudo. E realmente me importo com o que diz respeito a mim e pronto.E acima de tudo eu me firmo no que amo/digo/faço/atuo, e digo mais, hoje todos acreditam que a Terra gira em torno do Sol.



Eu não sou o centro do universo.
Chicão

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Lugares


Lugar é apenas uma questão de espaço, não são casas, ou ruas, ou clubes que fazem a diverção, mas sim quem esta com você.

Por exemplo, quando digo q estou com saudade, não quero dizer q necessariamente eu sinta saudade de cada paralelepipedo de pedra sabão das ladeiras, dos altos e baixos, ou da minha casa, mofada e suja. Minha saudade na verdade se resume em pessoas, elas q fazem o lugar onde vivo, e não aquelas casas antigas. Lá eu tenho amigos que gostam de mim, e uma simples bebedeira na direita é a festa top, qualquer sambinha se torna a evolução do carnaval.

O intenso se faz presente em tudo, nos amores, nos temores, nas pessoas se aproximando, no mundo todo se descobrindo, na vida que está começando, tudo isto é intenso, tudo acontece muito rápido, é aí que essa loucura de intensidade se manifesta no clima físico da cidade, fazendo um único dia ter as 4 estações do ano, e quando percebemos, 1 mes se passou e o que nos fica é aquela sensação de que o ano acabou, 1 ano dentro de um mês, e tudo se intensifica mais e mais, e cada vez voce se descobre mais apaixonado pelas pessoas, e por este lugar que a primeiravista parece estranho e antigo.
Ai Ouro preto, não sinto falta sua, mas dos vários viajantes que passam por voce durante um misero periodo de 5 anos.

Sentindo saudades, de você também ouro preto, mas principalmente das pessoas que em você vive.
Com medo de te deixar pra trás, mas acreditando na vida que me vem em frente.


S A U D A D E S.