quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Dois (Pablo Neruda) - Juh


Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.



(Pablo Neruda )

.



Juh, vc vale ouro sabia??





.

Essa é pro cara que me aturou todo dia no ano passado.

Juh

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Conjugação da Ausente - (Vinicius de Moraes)







Tua graça caminha pela casa
Moves-te blindada em abstrações, como um T. Trazes
A cabeça enterrada nos ombros qual escura
Rosa sem haste. És tão profundamente
Que irrelevas as coisas, mesmo do pensamento.
A cadeira é cadeira e o quadro é quadro
Porque te participam. Fora, o jardim
Modesto como tu, murcha em antúrios
A tua ausência. As folhas te outonam, a grama te
Quer. És vegetal, amiga...
Amiga! direi baixo o teu nome
Não ao rádio ou ao espelho, mas à porta
Que te emoldura, fatigada, e ao
Corredor que pára
Para te andar, adunca, inutilmente
Rápida. Vazia a casa
Raios, no entanto, desse olhar sobejo
Oblíquos cristalizam tua ausência.
Vejo-te em cada prisma, refletindo
Diagonalmente a múltipla esperança
E te amo, te venero, te idolatro
Numa perplexidade de criança.
(Vinicius de Moraes)

sábado, 18 de agosto de 2007

Bicho de Sete Cabeças - Zeca Baleiro (Danielle Pulz)

Não dá pé não tem pé nem cabeça

não tem ninguém que mereça

não tem coração que esqueça

não tem jeito mesmo

não tem dó no peito

não tem nem talvez ter feito

o que você me fez desapareça

cresça e desapareça




Não tem dó no peito

não tem jeito

não tem ninguém que mereça

não tem coração que esqueça

não tem pé não tem cabeça

não dá pé não é direito

não foi nada, eu não fiz nada disso

e você fez um bicho de sete cabeças.




Homenagem pra Dany que arrasou na apresentação.
Beijos Dany.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Papel de Pão


O pão é igual ao verso perdido na folha,

O verso é pão perdido em papel.

O pão é alimento para o corpo,

Meu verso alimento para a alma.

O pão não existe sem verso,

O verso não existe sem pão,

Ambos são a existência do homem.